
O médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola foram condenados de forma solidária a pagar R$ 20 milhões em indenização por danos morais coletivos decorrentes de abusos sexuais cometidos no interior da entidade, em Abadiânia. A decisão desta terça-feira (6) também determinou que a instituição e o réu indenizem individualmente todas as pessoas que comprovarem terem sofrido abuso durante os atendimentos espirituais.
Em nota ao g1, a defesa de João de Deus informou que os autos não refletem a realidade dos fatos e que vai recorrer da decisão. Ainda disse que a decisão desconsidera o conjunto de provas e absolvições obtidas ao longo de oito anos, além de impor uma condenação desproporcional.
Segundo a sentença, o montante será destinado a fundos públicos voltados a políticas de proteção e apoio a mulheres vítimas de violência sexual, com incidência de correção monetária e juros de mora calculados desde dezembro de 2018. Para assegurar o cumprimento dos pagamentos, a decisão manteve o bloqueio judicial sobre a Fazenda Agropastoril Dom Inácio, avaliada em R$ 41 milhões.
Condenação solidária quando determinada pela Justiça significa que, neste caso, tanto João de Deus quanto o Centro Espírita respondem pela totalidade da dívida de R$ 20 milhões, sem divisão prévia de quotas.
A condenação decorre de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), que comprovou a conexão direta entre os abusos sexuais cometidos por João de Deus e a estrutura de atendimentos do Centro Espírita Dom Inácio de Loyola.