
Da Redação / JNCE
O crime organizado tem buscado brechas para atuar no litoral do Piauí. O promotor de Justiça de Luís Correia, Yan Cavalcante, traçou o perfil de pessoas recrutadas pelo crime para atuar no tráfico de drogas, principal fonte de renda das organizações criminosas.
Historicamente, o crime organizado começou a buscar espaço no litoral do estado em 2021. No ano seguinte, tiveram início, com maior intensidade, as disputas entre facções, o que resultou em 44 mortes. São vários os grupos que rivalizam por territórios ao longo dos anos. O aumento da força ostensiva no litoral fez com que os números caíssem, chegando a 25 mortes em 2023, 27 homicídios em 2024 e 13 mortes no ano passado. Neste ano, já são oito homicídios no contexto de facções criminosas no litoral do Piauí.
Segundo o promotor, atualmente essas organizações têm buscado brechas na lei por meio de adolescentes e mulheres, em sua maioria grávidas. No caso dos adolescentes, o uso em crimes violentos, como homicídios, tem crescido, principalmente pela facilidade que esses indivíduos têm de reincidir antes dos 18 anos.
“Estão cada vez mais utilizando pessoas jovens, menores de 18 anos, que sabem que não ficam preso, são apreendidos. Então a utilização cada vez mais frequente, inclusive em crimes violentos, isso tem dificultado nosso trabalho. Porque eles voltam a reincidir e nós não podemos manter presos”, explica o promotor em entrevista ao Acorda Piauí.
No caso das mulheres, a captação varia. Em alguns casos, o recrutamento de mulheres grávidas ocorre para a venda de drogas. Caso sejam presas, essas mulheres acabam conseguindo prisão domiciliar devido à condição.
“Eles pegam as brechas que existem na lei, na jurisprudência, e utilizam vantagens. Por exemplo, estava utilizando muitas mulheres que são mães, mulheres grávidas, para botarem como traficantes e elas pedirem prisão domiciliar pela condição de gestante. Então eles buscam o tempo todo as brechas pela impunidade”, cita.
Com informações do Cidadeverde.com